Histórico escolar
tradução e GPA
Quando a tradução precisa ser juramentada e quando não precisa, como a sua nota brasileira vira GPA, e o que a sua escola tem que mandar junto. Com duas calculadoras para você usar agora.
O que você vai aprender
19 seções de conteúdo prático e verificado para a sua candidatura internacional.
Os documentos da sua candidatura
Alguns você envia, outros só a sua escola pode enviar. Confundir os dois é o erro que mais atrasa candidatura de brasileiro.
O seu desempenho acadêmico chega ao admissor por duas mãos diferentes. Você preenche uma parte no formulário, e a sua escola envia outra parte diretamente, sem passar por você. Entender quem faz o quê evita que você fique esperando um documento que não é seu, ou que deixe de cobrar um que ninguém vai cobrar por você.
A seção Education
Dados da escola, cursos que você fez e está fazendo, e os campos de GPA e class rank. É a única parte que está sob o seu controle, e é onde mora a maior parte dos erros deste guia.
Histórico e School Report
O histórico escolar oficial (transcript) e os formulários da escola, enviados pelo coordenador, orientador ou secretaria. Você não vê, não edita e não anexa. Você só pode pedir com antecedência e explicar o que é.
School Profile
O documento que descreve a sua escola, e não você: escala de notas, currículo oferecido, contexto da comunidade. É ele que faz a sua nota significar alguma coisa lá fora. Tem uma seção inteira sobre ele neste guia.
Esta é a lista oficial do Common App, e cada universidade decide quais exige. Nenhuma pede todos. Vale conferir na página de requisitos de cada uma antes de mandar o coordenador preencher coisa à toa.
Histórico, cartas e formulários da escola só são enviados às universidades quando você submete a sua candidatura. Se o seu coordenador já preencheu tudo e nada apareceu do lado das universidades, provavelmente falta você apertar o botão.
Você pode ser elegível ao fee waiver do Common App sendo internacional, mas cada universidade tem política própria. Quem não aceita pode cobrar a taxa depois que você já submeteu. Confirme antes de contar com a isenção.
Traduzir não é converter
Duas coisas diferentes que quase todo mundo mistura, e misturar custa caro.
Passar o documento para outra língua
O seu histórico está em português e a universidade lê em inglês. Alguém verte o texto, palavra por palavra, mantendo a sua nota como ela é. Um 8,5 continua 8,5.
É obrigatório na maioria dos destinos, e este guia mostra quem pode fazer.
Transformar a sua nota em outra escala
Pegar o 8,5 brasileiro e dizer que ele equivale a um A- ou a um GPA 3.7. Isso é interpretação, não tradução, e quem faz é a universidade ou uma agência de equivalência.
Serve para você se situar. Não serve para você declarar no formulário.
A UC Berkeley Graduate Division escreve, com todas as letras, que nomes de diploma e notas devem ser transcritos, não convertidos, para palavras em inglês ou para as notas americanas de A a F. Ou seja: a universidade quer ver a sua nota original, na sua escala original, e ela mesma faz a conta que quiser fazer. Se você converter por conta própria e reportar o número convertido, você não está ajudando, está substituindo o julgamento dela pelo seu, e criando uma inconsistência entre o que você declarou e o que o histórico mostra.
Porque saber onde você está muda decisão: ajuda a montar lista de universidades, a entender se você bate o corte de uma bolsa e a conversar com o seu orientador. A calculadora é para o seu uso, não para o formulário. No formulário vai a sua nota real, na sua escala real.
Juramentada, certificada ou simples
Três coisas com nomes parecidos e exigências bem diferentes. A régua não é do Brasil, é de quem vai ler.
Existe uma crença de que todo documento escolar que sai do Brasil precisa de tradução juramentada. Não é verdade, e acreditar nisso pode custar algumas centenas de reais desnecessárias. O que existe são três tipos de tradução, e cada instituição de destino escolhe qual aceita.
Tradução juramentada
Tradução certificada
Tradução simples
Na juramentada, quem assina tem fé pública dada pelo Estado brasileiro. Na certificada, quem assina declara que a tradução é fiel e se responsabiliza por isso. Na simples, ninguém declara nada.
A tradução certificada costuma exigir um certificado de fidelidade, o certificate of accuracy, com assinatura, data e contato de quem traduziu. Sem esse papel, a tradução vira simples aos olhos de quem recebe.
É aqui que a maioria erra. Em várias universidades americanas, um professor da sua própria escola pode traduzir. Já uma agência de equivalência não aceita nem professor nem você.
O MIT diz na página de candidatura que a tradução pode ser feita por um serviço profissional ou por um professor da sua escola, e que, se for um professor, ele deve assinar e datar a tradução. A única proibição explícita é você traduzir o seu próprio documento. E o MIT pede que você envie o original junto com a tradução, sempre.
Autotradução não é aceita. Não importa que o seu inglês seja excelente: você é parte interessada, e nenhuma instituição aceita que o candidato ateste a fidelidade da tradução do próprio histórico.
Se a sua candidatura exigir avaliação de credenciais, a régua é outra. O WES só aceita tradução feita por tradutor profissional, ligado a universidade, agência certificada ou serviço profissional, e exige tradução literal, palavra por palavra. Ele recusa tradução feita pelo candidato, tradução manuscrita, tradução de fotocópia e tradução incompleta. E não traduz para você: nas palavras do próprio WES, esse serviço não é oferecido.
A tradução juramentada mudou, e quase ninguém sabe
A tabela de preço acabou, o tradutor atende o país inteiro e o arquivo digital vale. Isso muda quanto você paga e quem você procura.
Durante décadas, cada junta comercial publicava uma tabela de emolumentos e o tradutor juramentado cobrava por ela. Muito material na internet ainda repete valores dessa época. A Lei 14.195/2021 e a Instrução Normativa DREI nº 52/2022 mudaram isso.
O preço é livre
A norma diz que é livre a pactuação de preços entre o tradutor e intérprete público e o tomador do serviço, e determina que as juntas comerciais revoguem as resoluções que fixavam preço.
Peça orçamento a mais de um profissional. A diferença entre eles é real.
Vale em todo o Brasil
O tradutor público exerce a profissão em qualquer estado ou no Distrito Federal, mantendo matrícula na junta do seu domicílio ou de onde mais atua.
Você não precisa de tradutor do seu estado. Procure preço e prazo, não endereço.
A lista é pública
As juntas comerciais são obrigadas a manter em seus sites a relação de todos os tradutores e intérpretes públicos habilitados.
Confira o nome do profissional na lista da junta antes de pagar.
O arquivo digital vale
As traduções públicas podem ser feitas em meio eletrônico com certificado digital, nos termos da Lei 14.063/2020.
Peça em PDF assinado digitalmente. É o formato que os portais aceitam.
A tabela da JUCESP para 2026 não fixa mais o preço da tradução ao cliente, mas classifica certificados e diplomas escolares como texto especial, categoria mais cara que a de documentos comuns como passaporte e certidão. Serve para você entender por que o orçamento do histórico costuma vir acima do de um documento simples.
O artigo 24 da mesma norma diz que a função não pode ser delegada. Se uma empresa oferece tradução juramentada, quem assina tem que ser o tradutor matriculado, e o nome dele precisa estar na lista da junta.
EducationUSA
Departamento de Estado dos EUAA rede oficial de orientação educacional dos Estados Unidos no Brasil faz tradução certificada de documentos acadêmicos para universidades americanas. Você manda o documento digitalizado por e-mail ao centro mais próximo e recebe orçamento e prazo. São mais de 40 centros no país.
O EducationUSA não declara que a tradução dele substitui a juramentada. Se o seu destino exige juramentada, ela continua sendo juramentada. Para candidatura de graduação nos Estados Unidos, que costuma pedir tradução certificada, vale pedir os dois orçamentos e comparar.
Apostila de Haia
O carimbo que prova que o seu documento é autêntico. Nem sempre é preciso, e quando é, são duas.
A apostila é um certificado emitido por cartório autorizado que atesta a origem do documento público: a assinatura, o cargo de quem assinou, o selo ou o carimbo da instituição. Ela não diz nada sobre o conteúdo, só que o papel é legítimo. E só funciona entre países signatários da Convenção da Haia.
O CNJ orienta que, via de regra, traduz-se primeiro o documento que será apresentado no exterior.
São dois apostilamentos: um do documento original e outro da tradução, porque são documentos independentes.
O próprio CNJ recomenda consultar a representação do país de destino, porque alguns exigem tradução feita por nacional deles.
Perguntado se a tradução de documento brasileiro precisa ser obrigatoriamente juramentada, o CNJ responde: depende da exigência do país em que o documento será apresentado, porque cada país tem procedimentos distintos. Não existe uma regra brasileira que valha para todos os destinos. Quem manda é quem recebe.
A régua muda por destino
O mesmo histórico, cinco países, cinco exigências diferentes.
Esta tabela é ponto de partida, não palavra final. Mesmo dentro de um país, a exigência costuma ser da universidade ou da agência de equivalência, não do governo. Use para saber o que perguntar, e confirme na página da instituição para onde você vai se candidatar.
A candidatura costuma passar pelo uni-assist, que pede o certificado de Ensino Médio com as notas dos três últimos anos, e que dispensa a tradução da Matriz Curricular quando você já cursou universidade no Brasil. Atenção a uma pegadinha: cópias oficialmente autenticadas têm que chegar em papel, com carimbo e assinatura originais, porque digitalização de cópia autenticada não vale.
Para Itália e Irlanda, não localizamos regra publicada em fonte oficial no nível de detalhe das linhas acima, e preferimos não preencher com suposição. Nesses casos, escreva para o admissions office da universidade perguntando exatamente isto: que tipo de tradução vocês aceitam, e se exigem apostila. A resposta por e-mail vira o seu documento de referência.
Não existe a escala brasileira
Antes de converter a sua nota, você precisa saber que a escala da sua escola não é a escala do país.
Quem nunca comparou histórico de duas escolas brasileiras costuma achar que existe uma escala nacional. Não existe. O WES, uma das maiores agências de equivalência do mundo, registra que a escala mais comum no Brasil é de 0 a 10 com 5 como nota mínima de aprovação, mas anota que há escolas usando 6 ou 7, e outras usando conceitos de A a D.
0 a 100, aprovação em 70
O School Profile declara escala de 100 pontos, média 70 para concluir, 75% de presença e o ano dividido em quatro períodos. E informa, por escrito, que a escola não faz ranking dos alunos.
0 a 10, aprovação em 6
O School Profile explica que a nota sai da soma de três provas de peso igual, que simulam os vestibulares de USP e UNICAMP e o ENEM, e diz quem elabora cada uma delas.
Técnico integrado, por carga horária
O School Profile descreve o curso em horas: 3.978 horas de currículo mais 300 horas de estágio obrigatório, em três anos, com as disciplinas técnicas listadas ano a ano.
Se um 7,0 significa coisas diferentes em Salvador e em Brasília, imagine o que ele significa para alguém que nunca ouviu falar de nenhuma das duas. É exatamente esse buraco que o School Profile preenche. Sem ele, o admissor tem um número solto. Com ele, tem um número situado. Por isso as duas últimas seções deste guia são sobre como conseguir que a sua escola faça esse documento.
Pegue o seu histórico e responda três coisas: qual é a nota máxima da escala, qual é a nota mínima de aprovação e se a escola calcula alguma média geral. Sem esses três dados, qualquer conversão é chute.
Calculadora de conversão de escala
Preencha a sua nota e a sua escala. Os três resultados que aparecem são de propósito.
Faixas de referencia usadas por servicos de equivalencia. E o mais parecido com o que um avaliador faz.
Regra de tres pura: nota dividida pela maxima, vezes 4. E o que a maioria dos conversores online faz.
Ancora a sua nota de aprovacao em 2.0, o piso que as universidades americanas costumam exigir para o aluno seguir, e a maxima em 4.0. Respeita o rigor da sua escola.
Os metodos nao concordam, e e esse o ponto. Nao existe conversao oficial da nota brasileira para o GPA americano. Use estes numeros para se situar, e reporte no formulario a sua nota real, na sua escala. A UC Berkeley Graduate Division escreve, literalmente, que as notas devem ser transcritas, nao convertidas.
Porque as tabelas que existem no mundo real não concordam entre si, e apresentar um número só daria a impressão de que existe uma resposta oficial. Não existe.
É o mais parecido com o que uma agência de equivalência faz: cada faixa de nota vira uma letra e um GPA. O problema é que cada agência desenha a faixa de um jeito. O Scholaro, por exemplo, trata toda a faixa de 7,0 a 8,9 como B, enquanto outras agências subdividem essa faixa e são mais generosas com quem está na parte de cima dela. A mesma nota, portanto, pode virar B numa tabela e B mais numa outra.
Regra de três pura: a sua nota dividida pela máxima, vezes 4. É o que a maioria dos conversores online faz. Simples e transparente, mas ignora completamente o rigor da sua escola: trata um 6 de escola dura igual a um 6 de escola generosa.
Ancora a sua nota de aprovação em 2.0, que é o piso de GPA que as universidades americanas costumam exigir para o aluno seguir no curso, e a nota máxima em 4.0. Repare que 2.0 é a nota C na escala americana, e não o D, que vale 1.0: o método usa o 2.0 como piso de sobrevivência acadêmica, não como equivalente da sua nota de corte. É o método que mais respeita o contexto, e não é invenção nossa: a NAIA, associação atlética universitária americana, ajusta a conversão justamente conforme a nota de aprovação da escola ser 5,0 ou 6,0.
Nada, além de entender. Se os três métodos dão números diferentes para a mesma nota, é porque a conversão é uma opinião informada, não um fato. Use a faixa mais baixa quando for avaliar se vale a pena tentar uma bolsa competitiva, e a mais alta quando for se animar. No formulário, nenhum dos três: vai a sua nota real.
GPA weighted e unweighted
O que os dois números significam, e por que a escola brasileira quase sempre só tem um deles.
GPA unweighted
Cada matéria vale o mesmo. Um A em cálculo avançado e um A em educação física entram com o mesmo peso, 4.0. Mede desempenho, e nada mais.
- ✓A = 4.0
- ✓B = 3.0
- ✓C = 2.0
- ✓D = 1.0
GPA weighted
Matérias de nível avançado ganham pontos extras: em geral 0,5 em Honors e 1,0 em AP ou IB. Mede desempenho e rigor ao mesmo tempo.
- ✓A em AP = 5.0
- ✓A em Honors = 4.5
- ✓A regular = 4.0
- ✓Teto de 5.0
O peso extra existe porque a escola americana oferece trilhas de dificuldade diferentes e precisa distinguir quem escolheu a mais difícil. A escola brasileira comum não tem Honors nem AP, e portanto não tem o que ponderar. Isso não é uma desvantagem: quem descreve o rigor do seu currículo para o admissor não é um número, é o School Profile da sua escola. Se a sua escola tem IB ou currículo bilíngue, aí sim há o que ponderar, e o School Profile precisa dizer isso.
Muitas recalculam o GPA por conta própria, com fórmula interna, para comparar candidatos de sistemas diferentes na mesma régua. O recálculo costuma remover disciplinas não acadêmicas, como educação física e eletivas, e ficar só com o núcleo. Duas consequências práticas: o número que você reporta é ponto de partida, não veredito; e a sua nota nas matérias do núcleo pesa mais do que a média geral sugere.
Calculadora de GPA
Matéria por matéria, na escala da sua escola.
Escala de 0 a 4. Ignora a dificuldade da materia.
Escala de 0 a 5. Soma 0,5 em Honors e 1,0 em AP ou IB.
Linhas em branco sao ignoradas no calculo.
Se a sua escola nao tem Honors, AP nem IB, deixe tudo em Regular. Nesse caso o weighted vai ser igual ao unweighted, e isso esta certo: o peso extra e uma convencao da escola americana, nao uma nota que voce pode se dar. Quem descreve o rigor do seu curriculo para o admissor e o School Profile da sua escola.
Some as matérias do núcleo acadêmico: português, matemática, física, química, biologia, história, geografia e língua estrangeira. Se você incluir educação física e eletivas, o seu número vai ficar mais bonito do que o número que a universidade vai calcular, e a diferença aparece na hora errada.
Marque as matérias de IB como AP ou IB na calculadora. O IB tem peso reconhecido internacionalmente e é a exceção brasileira mais comum ao que dissemos na seção anterior.
Como preencher no Common App
Os campos de GPA e class rank, com a orientação oficial e não com o boato que circula.
Esta seção segue o material que o Common App publica para orientadores de alunos internacionais. Vale a pena ler as regras exatamente como elas são escritas, porque três delas contrariam o que se costuma repetir por aí.
Na seção de testes, o Common App pergunta se a promoção dentro do seu sistema educacional depende de exames nacionais de conclusão aplicados por uma banca estadual ou nacional. Se você responder que sim, abre uma subseção para listar até dez exames. Pense antes de marcar: no Brasil, a conclusão do ensino médio não depende de um exame nacional, e o ENEM é usado para ingresso na universidade, não para você concluir a escola. Quem fez ENCCEJA para certificar o ensino médio está em situação diferente e deve conversar com o orientador.
O seu calendário não é o deles
Três anos contra quatro, dezembro contra junho. Duas diferenças que geram pendência na candidatura.
O ensino médio brasileiro tem três anos e o americano tem quatro. O WES, ao descrever o sistema brasileiro, registra que o nosso ensino médio corresponde às séries 10 a 12. A consequência é que o 9th grade deles cai no nosso 9º ano do fundamental, e isso tem efeito prático: prêmios e atividades daquele ano contam na candidatura, mesmo que para você aquilo ainda fosse fundamental. Muita gente apaga justamente o ano em que ganhou a primeira medalha.
Contar como série do ensino médio não significa que as notas pesem igual. Ex-admissores descrevem que o 9th grade tem alguma tolerância, porque é ano de transição, mas que ele continua no registro e é visto. O sistema da Universidade da Califórnia, por exemplo, não inclui o 9º ano no cálculo do GPA dele, mas olha as notas e as escolhas de matéria assim mesmo. Vale saber que esse cálculo da UC é ainda mais restrito do que parece: ele considera apenas as disciplinas da lista A-G e aplica um teto aos pontos extras de matérias avançadas. Ou seja, um GPA que você calcule em casa tende a sair maior do que o que a UC vai reconhecer.
O calendário americano vai de agosto a junho, então o mid-year report deles cai naturalmente em janeiro ou fevereiro, com as notas do primeiro semestre do último ano. Para você isso não existe: em dezembro você já se formou. Essa pergunta é feita com tanta frequência que o Common App a respondeu por escrito no material para orientadores internacionais.
O coordenador precisa submeter o School Report antes de conseguir enviar mid-year report, optional report ou final report. Sem isso, os outros formulários nem abrem.
A orientação oficial é enviar o mid-year assim que as notas do primeiro semestre ou trimestre estiverem disponíveis, e não numa data fixa do calendário americano.
O sistema do Common App não envia lembrete desses formulários. Se você não acompanhar, o prazo passa sem que ninguém perceba.
Como você conclui o ensino médio em dezembro, o seu histórico já está completo quando a maioria das universidades espera um mid-year. Combine com o coordenador: ele envia o histórico completo com o certificado de conclusão no School Report, e usa o campo do mid-year para reenviar o mesmo documento, de modo que a candidatura não fique com pendência aberta no sistema.
O School Profile é o documento que falta
Ele não fala de você, e por isso mesmo é o que mais muda como você é lido.
O School Profile é um documento de uma ou duas páginas, escrito pela escola, que dá contexto sobre a comunidade escolar: quem estuda ali, o que é oferecido, como se avalia, para onde os formandos vão. Ele acompanha o School Report de todos os alunos daquela escola.
Mais de 70% das candidaturas enviadas pelo Common App chegam com um School Profile anexado pelo orientador ou por um funcionário da escola. E o Common App observa que as candidaturas que não levam esse documento vêm desproporcionalmente de alunos de escolas pequenas, novas, rurais ou de rede alternativa. Traduzindo para o seu caso: sem o School Profile, você não fica neutro, você fica no grupo que é lido sem contexto.
O coordenador faz upload do School Profile na área dele do sistema de recomendação. Escola que usa plataforma integrada de orientação educacional gerencia por lá, e algumas instituições recebem histórico por provedores de documento eletrônico, como Parchment, Scoir e SPEEDE. No Brasil o caminho normal é o upload direto, mas se a universidade pedir envio por um desses serviços, é o coordenador quem opera.
Quando o coordenador submete o School Report de cada aluno, o Common App inclui o School Profile automaticamente. Ele não precisa reenviar a cada aluno.
Você não anexa, não edita e não vê. O que você pode fazer é pedir com antecedência e levar um modelo pronto, que é o que a próxima seção resolve.
É o caso mais comum no Brasil, e não é motivo para constrangimento. A conversa que funciona não é vocês precisam fazer um documento, e sim existe um modelo pronto, de duas páginas, e eu trouxe três exemplos de escolas brasileiras que já fizeram. Escola nenhuma se recusa a explicar o próprio sistema de notas: o que trava é não saber por onde começar.
O que um School Profile precisa ter
A lista oficial, em quatro blocos, para você entregar pronta ao seu coordenador.
Esta lista vem do material que o Common App publica junto com a NACAC, a associação americana de orientadores educacionais, e se apoia em pesquisa acadêmica sobre quais elementos do School Profile mais afetam a leitura de uma candidatura.
Currículo acadêmico
O que a escola oferece e o que ela exige.
- ✓Lista de disciplinas oferecidas
- ✓Requisitos para concluir o ensino médio
- ✓Visão geral do currículo
- ✓Políticas da instituição
Sistema de notas
Como se avalia e como se compara.
- ✓Política de avaliação e escala usada
- ✓Se há ou não ranking de turma
- ✓Distribuição de notas da turma
Destino dos formandos
O que acontece com quem sai dali.
- ✓Percentual que segue para o ensino superior
- ✓Universidades em que os formandos entraram
- ✓Resultados em exames padronizados
Comunidade
Onde a escola fica e quem ela atende.
- ✓Panorama da comunidade
- ✓Contexto do bairro e da região
- ✓Perfil dos estudantes
- ✓Número de alunos matriculados
A distribuição de notas da turma. É a informação que responde a pergunta que o admissor realmente tem: um 8,5 nessa escola é comum ou é raro? Uma linha basta, no formato 25% dos alunos ficaram entre 8,5 e 10. Sem isso, ele fica só com o seu número absoluto.
A pergunta exata é: a escola tem um school profile em inglês para candidaturas ao exterior?
Busque pelo nome da escola somado a school profile. Escolas que já enviaram alunos para fora costumam ter um PDF publicado.
Mostre os exemplos abaixo e a lista de 14 elementos. É muito mais fácil adaptar do que criar do zero.
Temos exemplos de School Profile de uma escola privada de Brasília (escala 0 a 100, quatro períodos, declara não ranquear), de uma escola privada de Salvador (escala 0 a 10, explica a composição da nota, lista destino dos formandos e traz o código CEEB) e de um instituto federal de Mato Grosso (técnico integrado, currículo em carga horária, contexto socioeconômico da região). Peça na área do aluno: são a forma mais rápida de mostrar ao seu coordenador o que se espera do documento.
O código CEEB é o identificador que o College Board dá às escolas, e escolas brasileiras que já enviaram alunos para os Estados Unidos costumam ter um. Ele aparece no School Profile e identifica a sua escola nos sistemas americanos. Pergunte ao coordenador se a escola já tem o dela.
Como admissores leem o seu histórico
Contexto antes de nota, e trajetória antes de média.
Quem lê a sua candidatura costuma ser responsável por uma região específica do mundo e conhece as escolas dela. A primeira coisa que essa pessoa faz não é olhar a sua média: é olhar o School Profile e perguntar o que estava disponível para você.
O que estava disponível?
Quantas matérias avançadas a sua escola oferecia? Se eram duas, ninguém espera que você tenha feito oito. Você é avaliado dentro do que era possível, e não dentro de um cenário ideal.
O que você deixou na mesa?
Dado o que existia, você escolheu o caminho mais exigente? A anotação que o admissor faz na sua ficha é literalmente sobre o que você não aproveitou do que estava ali.
Nas palavras de dois ex-admissores, notas máximas sem desafio não impressionam tanto quanto um B em curso rigoroso, porque a escolha do caminho difícil mostra disposição a se esticar. O padrão ideal continua sendo nota alta em curso difícil, mas entre as duas coisas, o rigor conta a favor. E vale a recíproca: acumular matérias avançadas e tirar nota medíocre em metade delas é o pior dos mundos.
Ofertas podem ser revogadas por queda drástica de desempenho no último ano, mas a régua descrita por quem trabalhou em admissões é grande: falam de cair de A para C, e não de A para A menos. O motivo maior para não desacelerar não é medo, é preparo para o primeiro ano de universidade.
Nota baixa e contexto
Silêncio é a pior resposta, porque o admissor preenche o vazio sozinho.
Se houve uma queda com causa, explique. Doença, luto, mudança de cidade, dificuldade familiar, problema de saúde mental. Diga o que aconteceu, quando, e principalmente como você se recuperou. O foco é a recuperação, não o drama.
É o campo, na seção Writing, feito para contexto que os outros campos não comportam. Vale tanto para queda de nota quanto para explicar escolha de matéria: um subtítulo curto do tipo course context e algumas linhas objetivas resolvem.
A carta do coordenador é o outro lugar onde o contexto aparece, e com mais peso, porque vem de terceiro. Conte a ele o que houve, em vez de esperar que ele adivinhe.
Como você se forma em dezembro, o seu histórico completo é a última coisa que eles veem. Terminar bem o 3º ano é a prova mais concreta de que a dificuldade ficou para trás.
Assumir matéria mais difícil e ir bem mostra que o problema era circunstância, não capacidade. Mas assumir matéria difícil e tirar nota baixa piora exatamente o que você queria consertar.
O Common App tem um campo específico, o Challenges and Circumstances, com 250 palavras, para circunstâncias significativas como doença grave, morte na família ou situações extremas. Ele fica dentro do Additional Information, que por sua vez tem 300 palavras. Se o seu caso for desse tipo, use o campo próprio e guarde o Additional Information para os outros contextos.
O histórico é enviado pela escola e reflete a sua vida escolar inteira, inclusive reprovação. Não tente omitir, porque não é você quem envia. O que pesa contra não é a reprovação: é a falta de explicação e a ausência de melhora depois dela.
Checklist
O que precisa estar resolvido antes de você submeter. Fica salvo nesta sessão.
Perguntas frequentes
As dúvidas que mais aparecem sobre tradução, escala e formulário.
Resumo em uma tela
O guia inteiro, para revisar antes de falar com a sua escola.
Traduzir
- Régua é de quem recebe
- Certificada resolve a maioria nos EUA
- Professor da escola pode traduzir
- Autotradução nunca
- Original sempre junto
No Brasil
- Preço livre desde 2022
- Tradutor atende o país todo
- Lista pública na junta
- PDF assinado vale
- EducationUSA é alternativa
Apostila
- Só entre países signatários
- Traduz primeiro, apostila depois
- São duas apostilas
- Custo varia por estado
Converter
- Traduzir não é converter
- Tabelas não concordam
- Serve para você se situar
- No formulário vai a nota real
No formulário
- Escala 10 ou 100
- Weighted se a escola tem os dois
- None se não há ranking
- Em branco se não há média
Calendário
- 9º ano do fundamental = 9th grade
- 1º, 2º e 3º = 10th, 11th e 12th
- School report vem primeiro
- Mid-year quando a nota sair
School Profile
- 70% das candidaturas levam
- 1 a 2 páginas
- 14 elementos
- Distribuição de notas é o que falta