Material exclusivo · Alunos Iuvenis

Ensino médio
no exterior

Os três caminhos para estudar fora antes da faculdade: intercâmbio de um semestre ou um ano, boarding school com bolsa e o ensino médio completo. Com a regra de visto que decide tudo, as escolas que realmente dão dinheiro a estrangeiro e as três condições para não perder o ano no Brasil.

3
caminhos possíveis
12 meses
o teto do F-1 em escola pública
14
idade mínima para começar
US$ 150 mil
a faixa que zera a anuidade em Groton
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O que você vai aprender

9 seções de conteúdo prático e verificado para a sua candidatura internacional.

Seção 01

Comece por aqui: três caminhos, não um

A maioria das famílias chega achando que existe uma coisa só chamada intercâmbio. Existem três, com custo, duração e consequência completamente diferentes.

Este guia é um mapa de decisão, não um manual de candidatura de um programa específico. Ele existe para você descobrir qual dos três caminhos cabe na sua idade, no seu inglês e no seu orçamento, antes de gastar meses no processo errado. Cada caminho aponta para onde aprofundar.

Caminho 1 · o mais comum

Intercâmbio de um semestre ou um ano

Você mora com uma família anfitriã e cursa parte do ensino médio fora, voltando para se formar no Brasil. É o caminho mais acessível e o que menos mexe na sua trajetória escolar.

  • Duração: 5 a 10 meses
  • Idade: a partir de 14 anos
  • Custo: de gratuito por seleção a pago por agência
  • Visto: em geral J-1
Caminho 2 · o mais seletivo

Boarding school com bolsa

Internato no exterior, com currículo já no padrão que a universidade estrangeira reconhece. Algumas escolas cobrem tudo, inclusive passagem, mas a concorrência é de outra ordem.

  • Duração: 1 a 4 anos
  • Exames: SSAT mais prova de inglês
  • Custo: de zero a mais de US$ 70 mil por ano
  • Visto: F-1 em escola privada
Caminho 3 · o mais transformador

Ensino médio completo fora

Os dois ou três anos finais no exterior, com diploma de lá. O caso mais conhecido e mais viável para brasileiro é a UWC, que seleciona por comitê nacional e cobre até 100%.

  • Duração: 2 anos
  • Seleção: comitê nacional brasileiro
  • Custo: de zero a integral, conforme a seleção
  • Guia próprio: UWC
A pergunta que separa os três

Não é qual é o melhor. É onde você quer se formar. Se a resposta for no Brasil, você quer o caminho 1 e precisa ler com atenção a seção sobre não perder o ano. Se a resposta for fora, você quer o caminho 2 ou 3, e aí a conversa vira dinheiro e processo seletivo, começando de um a dois anos antes do que a maioria imagina.

Seção 02

Vou perder o ano no Brasil?

É a primeira pergunta de toda família, e a resposta é não. Mas ela vem com três condições, e quem ignora qualquer uma delas perde mesmo.

As três condições abaixo vêm de quem trabalha com isso há sete anos, numa das maiores agências de intercâmbio do país. Elas não são burocracia: são exatamente o que a sua escola brasileira vai cobrar quando você voltar, e é muito mais barato resolver antes de embarcar do que depois.

1
Antes de embarcar
Alinhe por escrito com a sua escola no Brasil

Converse com a coordenação e registre o que a escola vai exigir para validar o período fora. Cada escola tem uma régua, e acordo verbal em dezembro não vale nada em março.

  • Peça a lista de exigências por escrito, por e-mail mesmo.
  • Pergunte especificamente como será a validação de notas e a contagem de faltas.
2
Durante o intercâmbio
Cumpra as matérias obrigatórias do sistema brasileiro

São cinco frentes que precisam aparecer no seu histórico lá fora: matemática, ciências, estudos sociais, idioma e educação física. Monte a sua grade no exterior de olho nessa lista.

  • Na hora de escolher as disciplinas, resolva a obrigatoriedade primeiro e a curiosidade depois.
3
O ano inteiro
Mantenha as notas

A frase da profissional é direta: não dá para ir pensando que é um programa de turismo. Nota baixa lá fora vira problema de equivalência aqui, e some com a chance de usar o período numa candidatura futura.

  • Boletim ruim no exterior é o único jeito garantido de transformar um ano bom num ano perdido.
O detalhe de calendário que ninguém avisa

O ano letivo do hemisfério norte vai de agosto a junho e o brasileiro vai de fevereiro a dezembro. Isso significa que o seu intercâmbio de um ano vai cortar dois anos letivos brasileiros pela metade, e não encaixar limpo em um. É justamente por isso que o alinhamento com a escola precisa ser feito antes: a pergunta prática não é vou perder o ano, é em que série eu volto.

Seção 03

A regra de visto que decide o seu caminho

Esta é a seção mais importante do guia. Quase nenhum material em português explica isso, e é o que faz uma família planejar por um ano a coisa errada.

O QUE O GOVERNO AMERICANO DIZ SOBRE ESCOLA PÚBLICA

Existe uma fantasia comum, a de mandar o filho para a high school pública americana e economizar. O regulamento federal fecha essa porta de dois jeitos ao mesmo tempo. Primeiro, o estudante com visto F-1 tem um teto de 12 meses em escola pública secundária, e o teto é agregado: soma o tempo em todas as escolas públicas que ele frequentar. Segundo, ele não estuda de graça: precisa pagar ao sistema escolar o custo integral por aluno, sem o subsídio do contribuinte. E precisa provar esse pagamento duas vezes, na entrevista do visto e de novo na entrada no país.

A regraO que ela significa na prática
Teto de 12 meses em escola públicaUm ano letivo e acabou. Não existe segundo ano em pública com F-1.
Pagamento do custo integral não subsidiadoA escola pública cobra, e o valor não é simbólico. O reembolso é obrigatório e a escola não pode dispensar.
Prova em dois momentosSem o comprovante, o visto pode ser negado na entrevista ou a entrada barrada no aeroporto.
Pública de K ao 8º ano não pode receber estrangeiroSó a escola pública do 9º ao 12º pode ser certificada pelo SEVP. Criança menor só entra em escola privada.
Não dá para encadear duas públicasCumprido o ano, não adianta trocar de escola pública. Mas dá para migrar para uma privada e seguir até o diploma.
Escola privadaSem limite de tempo, em qualquer série. É por isso que o caminho do diploma completo passa por escola privada.
A brecha que vale ouro, e ela está escrita na regra

O texto oficial diz que o tempo cursado em escola pública sob um status que não seja o F-1 não conta contra o limite de 12 meses. Traduzindo: o ano que você fizer como J-1, que é o visto do intercâmbio clássico com família anfitriã, não consome o seu ano de F-1. Quem faz o intercâmbio de um ano e depois decide voltar para terminar o ensino médio nos Estados Unidos chega com o direito inteiro na mão. Na ordem inversa isso não funciona.

E o J-1, que é o visto do intercâmbio de verdade

O programa oficial se chama Secondary School Student e tem regras próprias de elegibilidade que eliminam candidato antes mesmo da agência. Leia esta lista antes de se apaixonar pela ideia.

Idade

De 15 anos a 18 anos e 6 meses

A idade é medida na data de início do programa, não na inscrição. Alternativamente, não ter concluído mais de 11 anos de educação básica. Quem faz aniversário no meio do processo precisa fazer essa conta com cuidado.

Histórico

Uma vez só

Quem já participou de um programa de intercâmbio de ensino médio não pode participar de novo. Não é limite de país nem de agência: é da categoria de visto.

A que mais surpreende

Não pode morar com parente

O texto oficial é explícito: estudantes de intercâmbio não têm permissão para morar com parentes. Isso derruba o arranjo que quase toda família brasileira com um tio nos Estados Unidos imagina primeiro. A família anfitriã é designada pelo programa.

Trabalho

Só o ocasional

Nada de emprego regular, nem meio período. A regra permite apenas trabalho eventual, do tipo cuidar do jardim ou tomar conta de crianças. Quem conta com renda local para fechar o orçamento vai se frustrar.

O que o visto custa hoje, e o que mudou
A taxa nova que quase todo material ainda ignora

Desde 1º de outubro de 2025 existe a Visa Integrity Fee de US$ 250, cobrada na emissão de quase todo visto de não imigrante, inclusive F-1 e J-1. Ela é adicional, não pode ser dispensada e sobe com a inflação. Somada às outras, o total de taxas de governo hoje é de US$ 655: US$ 185 do MRV, US$ 220 do SEVIS e US$ 250 da Integrity Fee. Guia, agência ou vídeo que ainda fale em US$ 405 está desatualizado, e a diferença sai do seu bolso. Conte também com o escrutínio de redes sociais, que virou etapa padrão da entrevista consular e pode acrescentar dias ou semanas ao processo.

Canadá: o documento que o brasileiro descobre tarde

Se você tem menos de 17 anos e vai estudar no Canadá sem o pai, a mãe ou o responsável legal junto, precisa de uma Custodianship Declaration (formulário IMM 5646), notarizada, entregue com o pedido de study permit. O custodiante precisa morar no Canadá e ser cidadão ou residente permanente com 19 anos ou mais. E a assinatura é feita em dois lugares: a primeira página é assinada pelo custodiante e notarizada no Canadá, a segunda é assinada pelos seus pais e notarizada no Brasil. Isso leva semanas, e por isso precisa entrar no cronograma logo no começo. Para quem tem 17 anos ou mais o custodiante é opcional, mas o oficial pode exigir caso a caso.

UM PROGRAMA QUE CIRCULA COMO OPÇÃO E NÃO É, PARA VOCÊ

O Kennedy-Lugar YES aparece com frequência em listas de intercâmbio gratuito de ensino médio, e é de fato um dos maiores programas do governo americano. Só que ele atende um conjunto específico de países, e o Brasil não está entre os elegíveis. Não adianta procurar edital brasileiro: ele não existe. Vale o mesmo cuidado com qualquer lista de bolsa que você encontrar: confira a lista de países antes de montar candidatura, porque é o filtro que elimina mais gente antes de qualquer avaliação de mérito.

Uma consequência que muda a decisão da família inteira

Os pais não conseguem visto de dependente para acompanhar o filho. O texto oficial diz que responsáveis de aluno matriculado em escola de ensino básico não são elegíveis a status de dependente. Se a sua família imaginava se mudar junto, esse não é o caminho. O que o governo exige, em vez disso, é documento legal formal definindo quem é o guardião do menor no país e em que circunstâncias.

Seção 04

Como ler a política de auxílio de um internato

Três escolas de elite, o mesmo número de US$ 150 mil, e três regras diferentes. Quem decora a lista erra; quem aprende a ler a política acerta em qualquer escola.

Boarding school com bolsa é o caminho mais mal explicado da internet brasileira, porque as listas repetem umas às outras sem ler a política de cada escola. A diferença entre as duas frases abaixo vale dezenas de milhares de dólares por ano, e ela está sempre escrita, em inglês, na página de financial aid.

Faixa de renda

"Famílias com renda de até X pagam zero"
Quem faz a contaVocê, sozinho, antes de aplicar
Quando você sabeAntes de gastar meses no processo
A palavra que muda tudodomestic, que exclui estrangeiro
ExemplosGroton (vale para internacional) e Deerfield (não vale)
Melhor para
Quem precisa de previsibilidade para decidir

Necessidade demonstrada

"Cobrimos 100% da necessidade demonstrada"
Quem faz a contaA escola, a partir da sua renda e do patrimônio
Quando você sabeSó no fim, junto com o resultado da admissão
A pegadinhaA necessidade reconhecida raramente é a que a família sente
ExemplosAndover e a via internacional da Deerfield
Melhor para
Quem tem perfil forte e aceita descobrir o valor no fim
As três, lado a lado, com o que cada página oficial diz
EscolaO que a política declaraVale para internacional?Formulário e prazo
Groton School
Massachusetts, EUA
Desde 2025, anuidade zero para renda familiar de até US$ 150 mil. Inclui passagem de ida e volta, livros, laptop, conta de gastos e até a passagem dos pais para o Parents Weekend.Sim, e está escrito. A página diz que a política vale para todas as famílias, domésticas e internacionais, desde que o patrimônio seja compatível com a renda.Clarity
15 de janeiro
Deerfield Academy
Massachusetts, EUA
Anuidade zero para renda de até US$ 150 mil, e acima disso a conta é limitada a 10% da renda total.Não nessa forma. A frase da faixa de renda diz domestic families. O internacional entra pela via da necessidade demonstrada, com cobertura de até 100%.Consultar
15 de janeiro
Phillips Academy Andover
Massachusetts, EUA
Não publica faixa de renda. É a única boarding school do país que mantém política need-blind plena desde 2008, e cobre 100% da necessidade demonstrada. 47% dos alunos recebem auxílio, com média de US$ 45 mil por ano.Sim. Internacional pode pedir auxílio. Hoje são 210 estudantes internacionais de 46 países, dos quais 130 não são cidadãos americanos.PFS
1º de fevereiro
Repare no que a tabela acima ensina sobre prazo

O prazo do auxílio não é necessariamente o mesmo da admissão, e o formulário muda de escola para escola: a Groton usa o Clarity, a Andover usa o PFS. Não existe um prazo único de boarding school para anotar na agenda. Monte a sua própria tabela, escola por escola, com duas colunas: prazo da candidatura e prazo do auxílio.

A RECOMENDAÇÃO CONCRETA, SE A SUA FAMÍLIA NÃO PODE PAGAR NADA

Duas portas, por motivos diferentes. A Groton, porque é a política mais objetiva que encontramos para estrangeiro: se a renda cabe na faixa, a conta é zero e ainda entra passagem e laptop, sem depender de como um comitê vai interpretar a sua necessidade. E a Andover, porque é a única escola do país cuja política declarada garante que pedir auxílio não pesa contra você na decisão de admissão. Nas demais, pedir muito auxílio compete com a sua própria candidatura.

Seção 05

O caminho 1 por dentro: intercâmbio de um semestre ou um ano

O que muda de verdade no seu dia, e o que a agência costuma não dizer na primeira conversa.

Inglês

Você não precisa ser fluente

O que se exige é inglês suficiente para acompanhar uma aula de matemática ou de geografia no idioma, não conversa perfeita. As agências aplicam um teste padronizado de nivelamento justamente para medir isso. Esperar a fluência chegar é o motivo mais comum de gente que adia até perder a idade.

Idade

A janela abre aos 14

A idade mínima costuma ser 14 anos, que corresponde ao 9º ano, quando o high school começa nos Estados Unidos. Mas prontidão não é idade: parte dos alunos está pronta aos 14, e parte só aos 15 ou 16, já no meio do ensino médio.

A rotina

Menos matérias, mais horas

A carga se inverte. No Brasil você cursa de 11 a 13 matérias; lá fora costumam ser 7 ou 8, com jornada bem maior, das 8h às 15h30 ou 16h. Menos frentes abertas e mais profundidade em cada uma.

Destinos

Não é só Estados Unidos

É o destino mais procurado, mas existem programas de ensino médio para Canadá, Alemanha, França, Inglaterra, Espanha, Nova Zelândia e Austrália. Trocar de destino costuma ser a forma mais rápida de baixar o custo.

Sobre a família anfitriã, porque a expectativa errada estraga a experiência

Não existe formato único de família anfitriã. Elas podem ser um casal com filhos da sua idade, um casal cujos filhos já saíram de casa, um casal do mesmo sexo, um pai ou uma mãe sozinha, ou um casal mais velho. O que todas esperam é a mesma coisa: convivência. Reproduzir a vida do Brasil, ficar no quarto e jogar videogame sozinho é o oposto do que o programa é. Quem entende isso no primeiro mês aproveita o ano inteiro.

Seção 06

Programas reais, com o link oficial

Poucos e verificados, em vez de uma lista grande que ninguém confere. Todos aceitam brasileiro.

A regra desta seção é simples: só entra programa cuja elegibilidade para brasileiro foi conferida na página oficial, com o link ao lado para você checar por conta própria. Datas e valores mudam a cada edição, então confirme sempre antes de montar o seu cronograma.

ProgramaO que éCustoOnde conferir
UWCEnsino médio completo de dois anos em uma das escolas da rede, com seleção por comitê nacional brasileiro. Não exige inglês e a fluência não é testada como critério.De gratuito a integral, conforme a seleçãobr.uwc.org e o nosso Guia UWC
AFS Global STEM AcademiesPrograma de imersão em ciência e tecnologia, com bolsa integral, para quem está cursando o ensino médio em escola pública ou privada.100% gratuito para os selecionadosafs.org.br
Groton SchoolInternato nos Estados Unidos com anuidade zero declarada para famílias, inclusive internacionais, com renda de até US$ 150 mil.Zero na faixa de renda, mais passagem e materialgroton.org
Phillips Academy AndoverInternato nos Estados Unidos, need-blind pleno, cobrindo 100% da necessidade demonstrada, com internacional elegível ao auxílio.Conforme a necessidade apuradaandover.edu
Civics UnpluggedFormação de jovens líderes, online e gratuita, aberta a quem está no ensino médio. Serve como porta de entrada sem sair do país nem gastar nada.Gratuitocivicsunplugged.org
A UWC tem guia próprio, e ele é bem mais detalhado que esta linha

Se o caminho 3 é o seu, vá direto para o Guia UWC. Lá estão a estrutura da prova objetiva, o conteúdo que cai, os critérios de seleção, o pedido de isenção da taxa e o que a bolsa cobre e não cobre. Aqui ele aparece só como uma das opções do mapa.

Seção 07

Calendário: por que agosto já é tarde

O erro que mais custa oportunidade não é falta de mérito nem de dinheiro. É descobrir o programa depois que a janela fechou.

CONFERIDO HOJE, E É EXATAMENTE O QUE ESTA SEÇÃO QUER MOSTRAR

No dia em que este guia foi escrito, em agosto, fomos à página de bolsas de uma das maiores organizações de intercâmbio do Brasil. Todas as bolsas listadas estavam com inscrições encerradas: a do Japão, a de ciência e tecnologia e a da Alemanha. Nenhuma delas exigia mérito excepcional. Elas exigiam apenas que o candidato estivesse olhando na época certa, e a época certa tinha passado.

QuandoO que fazer
18 a 24 meses antesEscolher o caminho entre os três. Se for boarding school, começar o inglês para o SSAT e conversar com a escola brasileira.
12 a 15 meses antesFazer os exames. Levantar os prazos de candidatura e os de auxílio, que podem ser diferentes, escola por escola.
Dezembro a fevereiroA temporada. Boarding school americana concentra candidatura e auxílio entre 15 de janeiro e 1º de fevereiro.
MarçoResultados. A Andover, por exemplo, notifica admissão e auxílio juntos, em 10 de março.
O ano inteiroBolsa de intercâmbio abre e fecha em janela curta, uma vez por ano, e cada uma na sua época. Não existe uma temporada só.
A única providência que resolve isso de verdade

Monte hoje uma lista com os três a cinco programas que interessam a você e coloque no calendário do celular um alarme 30 dias antes da data em que cada um abriu no ciclo passado. Confira as páginas oficiais todo começo de ano, porque as datas mudam. Isso leva vinte minutos uma vez e é a diferença entre concorrer e descobrir tarde.

Seção 08

Checklist antes de decidir

Se você não consegue marcar todos os itens da sua rota, ainda falta informação, e não coragem.

A decisão
Se eu volto para o Brasil
Visto e regras
Dinheiro e prazo
Seção 09

Perguntas frequentes

As dúvidas que mais aparecem, respondidas com o que está nas fontes oficiais.

Não. O estudante com visto F-1 em escola pública secundária precisa pagar ao sistema escolar o custo integral por aluno, sem o subsídio do contribuinte americano, e o reembolso é obrigatório: a escola não pode dispensar. Além disso, existe um teto de 12 meses. A economia que muita gente imagina não existe.

Sim, e essa é uma das melhores notícias do regulamento. O texto oficial diz que o tempo cursado em escola pública sob status diferente do F-1 não conta contra o limite de 12 meses. Ou seja, o ano de J-1 não consome o seu ano de F-1. Só não funciona na ordem inversa.

Não. O necessário é inglês suficiente para acompanhar aulas de conteúdo, como matemática e geografia, no idioma. As agências aplicam um teste padronizado de nivelamento antes de aprovar o candidato. Para boarding school seletiva a régua sobe, e aí entram TOEFL, Duolingo ou equivalente, além do SSAT.

Costuma ser 14 anos para intercâmbio, que corresponde ao 9º ano, quando o high school começa nos Estados Unidos. No programa oficial J-1 de ensino médio a faixa é de 15 anos a 18 anos e 6 meses na data de início do programa. Confira a sua idade na data de início, e não na data da inscrição.

No programa J-1 de intercâmbio, não. O texto oficial é explícito ao dizer que estudantes de intercâmbio não têm permissão para morar com parentes. A família anfitriã é designada e triada pelo programa, e cada família pode receber no máximo dois estudantes estrangeiros, de países e línguas diferentes.

Não com visto de dependente. Segundo o governo americano, responsáveis de aluno matriculado em escola de ensino básico não são elegíveis a esse status. O que se exige, em vez disso, é documento legal formal definindo quem é o guardião do menor no país e em quais circunstâncias.

Praticamente não. A regra do J-1 de ensino médio permite apenas trabalho ocasional, do tipo cuidar do jardim ou tomar conta de crianças. Emprego regular, de tempo integral ou parcial, é proibido. Quem conta com renda local para fechar o orçamento precisa refazer a conta antes de embarcar.

Existe, e a mais objetiva que verificamos é a Groton School: a página declara anuidade zero para famílias com renda de até US$ 150 mil, e diz explicitamente que a política vale para todas as famílias, domésticas e internacionais. A cobertura inclui passagem de ida e volta, livros, laptop e conta de gastos. Atenção: uma faixa de renda igual em outra escola pode valer só para americano, como acontece na Deerfield.

Need-blind significa que pedir auxílio financeiro não pesa contra você na decisão de admissão. Na maioria das escolas de elite, pedir muito dinheiro compete com a sua própria candidatura. A Phillips Academy Andover é a única boarding school dos Estados Unidos que mantém política need-blind plena desde 2008, e internacional pode pedir auxílio.

Não, desde que você cumpra três condições: alinhar por escrito com a sua escola brasileira o que ela vai exigir na volta, cursar lá fora as matérias obrigatórias do sistema brasileiro (matemática, ciências, estudos sociais, idioma e educação física) e manter boas notas durante o período. Como os calendários são defasados, a pergunta mais útil não é se você perde o ano, e sim em que série você volta.

Estudar fora aos quinze anos não é adiantar a faculdade nem colecionar um selo no currículo. É descobrir, cedo, que você dá conta de coisas que ainda não tinha tentado. O resto vem junto.

Boa jornada · Equipe Iuvenis
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